A fome de um artista

As novidades que presenciamos hoje, no mundo contemporâneo, são um grande exemplo de como tudo surge com grande intensidade na mídia e, pouco depois, ao aparecer algo tão interessante quanto o anterior (ou mais), são esquecidos.

Os produtos tecnológicos chegam às lojas e logo são substituídos, pois produtos mais modernos chegaram e estão chamando a atenção dos consumidores.

Franz Kafka nos mostra o mesmo no conto “Um artista da fome”, escrito na década de 20 e que remete a mesma realidade encontrada hoje. O faquir, que mostra sua arte de jejuar, durante 40 dias e 40 noites, vê que o público não tem mais o mesmo interesse e que as outras atrações do circo chamam mais atenção do que sua habilidade.

“Porque eu não pude encontrar o alimento que me agrada. Se eu tivesse encontrado, pode acreditar, não teria feito nenhum alarde e me empanturrado como você e todo mundo. Estas foram suas últimas palavras, mas nos seus olhos embaciados persistia a convicção firme, embora não mais orgulhosa, de que continuava jejuando.”

KAFKA, Franz. “Um artista da fome”.

Kafka também mostra que o artista jejuava por não encontrar um alimento que o satisfizesse. Mas, o que é esse alimento que fala o artista? Ele tem fome de atenção, de poder, de fama. Quando se viu esquecido, sem seus admiradores, decidiu que jejuaria, então, para sempre.

No mesmo caso que presenciamos com a tecnologia de hoje, a sociedade também se acostumou em ver a habilidade do artista de passar fome e a fez tornar-se mais uma coisa banal, do dia-a-dia.

O autor expõe também, em outras de suas obras, o conflito do homem cotidiano. Em “A Metamorfose”, Gregor Samsa acorda pela manhã e percebe que virou um inseto, tendo que continuar sua vida daquele jeito. A alteração do personagem do conto não é só física, mas, a partir daí, torna-se uma alteração de atitudes, sentimentos e opiniões.

Os textos de Franz Kafka mostram a alienação do homem moderno, os conflitos existenciais sofridos pelo homem de hoje, retratando o absurdo do mundo de forma irônica. Os personagens não conhecem seus objetivos, procuram um motivo para sua existência e, por fim, acabam sós, envolvidos numa situação que não planejaram, pois todas as suas frustrações se viraram contra eles. Por isso, na obra kafkiana é muito comum encontrar temáticas sobre a solidão, os delírios que o mundo moderno causa no homem e a paranóia da qual eles enfrentam.

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