Arquivo do mês: novembro 2010

Haring

Keith Haring é um dos maiores nomes das artes plásticas da década de 80. Depois da atenção voltada para o neo-expressionismo no fim da década de 1970, agora, na década de 80, era a vez de o grafite ter essa atenção.

Segundo Edward Lucie-Smith: “Ela [a arte do grafite] transferiu os sinais e símbolos que já adornavam (ou desfiguravam, dependendo do ponto de vista) o metrô de Nova York às paredes das galerias comerciais de arte, e dalí aos museus e lares opulentos. O Grafite parecia ser uma continuação legítima da arte pop.”

Keith mudou-se para Nova Iorque em 1978 e, matriculado na School of Visual Arts (SVA), conheceu uma comunidade artística que se desenvolvia fora do eixo das galerias e dos museus, e sim nas ruas, nos metrôs e nos clubes noturnos de dança. Tomado pela energia dessa cena artística, Haring desenvolveu uma arte gráfica baseada em traços grossos, onde seus personagens pareciam sempre estar em movimentos, além das cores vibrantes.

Enquanto estudava na SVA, Keith fez colagens, performances, instalações; mas nunca deixou o desenho de lado. No ano de 1980, o artista teve a idéia de desenhar com giz nos painéis vazios de publicidade, que ficavam cobertos por um papel preto, do metrô de Nova Iorque. Haring produziu centenas de desenhos ao longo do percurso do metrô, ficando assim conhecido pelas pessoas que faziam o trajeto no dia a dia.

Entre 1980 e 1989 Keith atingiu reconhecimento internacional. Durante esse período, participou de bienais e pintou diversos murais pelo mundo, um deles no muro de Berlin, três anos antes de ser derrubado.

Alguns dos desenhos do artista possuíam temáticas sexuais e homo-eróticas.

Haring foi diagnosticado com AIDS em 1988 e, no ano seguinte, criou a Keith Haring Foundation, fundação que levantava fundos em prol das crianças portadoras do vírus HIV. A partir de então, Keith dedicou os últimos anos de sua vida com obras voltadas a conscientização e o ativismo a respeito da AIDS.

Keith Haring dedicou, durante sua carreira, muito de suas obras a locais públicos, que quase sempre continham mensagens sociais. Muitas dessas obras eram direcionadas para orfanatos, creches e hospitais.

 

Tuttomondo (1989). Mural em igreja, na Itália, dedicado à paz mundial.

Keith morreu aos 31 anos, deixando sua arte espalhada pelos muros do mundo. E, para mostrar que o artista ainda é e será referência de muitos outros artistas, uma foto da obra do grafiteiro inglês Banksy, que fez uma homenagem em um muro da periferia de Londres. A obra se chama “Haring dog”.

Referências:
LUCIE-SMITH, Edward. Os movimentos artísticos a partir de 1945. Cap.8 Os Estados Unidos – da década de 1970 à década de 1990. SP: Martins Fontes, 2006.
http://www.keithharing.com.br/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Keith_Haring
Anúncios

Murilo Rubião

Murilo Eugênio Rubião nasceu em 1º de junho de 1916 em Carmo de Minas, Minas Gerais. O escritor era formado em direito, mas o jornalismo sempre o fascinou. Foi redator da Folha de Minas e diretor da Rádio Inconfidência.

No ano de 1947 lançou seu primeiro livro de contos, intitulado “O ex-mágico”, porém este não teve grande repercussão na época. Depois daí, ingressou na política, trabalhando como assessor, até que, em 1951 tornou-se chefe de gabinete do então governador Juscelino Kubitschek.

Em 1966 foi escolhido para organizar o caderno literário do jornal Estado de Minas Gerais, que acabou se tornando um dos melhores órgãos da imprensa cultural do país. Foi então que, em 1974, Rubião ganhou fama ao publicar “O Pirotécnico Zacarias” e, a partir daí, suas obras ficaram conhecidas como uma das maiores manifestações da literatura fantástica no Brasil.

A literatura fantástica foi iniciada no Brasil pelo também livro do escritor “O ex-mágico”. Nesse gênero literário são valorizados os acontecimentos surreais e inexplicáveis, que causam estranhamento nas pessoas. O autor busca um questionamento da realidade com as situações absurdas dos seus contos. Podemos até comparar os contos de Murilo Rubião com os de Franz Kafka, também utilizador de uma literatura Fantástica. Mário de Andrade já dizia do escritor: “Ele possui o mesmo dom de um Kafka. A gente não se preocupa mais, é preso pelo conto, vai lendo e aceitando o irreal como se fosse real, sem nenhuma reação mais”. ¹

O conto “O Pirotécnico Zacarias” conta a história de Zacarias, que morreu atropelado, mas continua, como defunto, andando pelas ruas, vivendo. No trecho em que os jovens que o atropelaram estão decidindo o que fazer com o corpo, o defunto resolve dar sua opinião, dizendo que não quer ser jogado do penhasco e ser esquecido ali, pois assim seu nome não apareceria nas manchetes dos jornais. Os rapazes, então, decidem levá-lo junto com eles e Zacarias continua entre os vivos, porém, morto.

“No passar dos meses, tornou-se menos intenso o meu sofrimento e menor a minha frustração ante a dificuldade de convencer os amigos de que o Zacarias que anda pelas ruas da cidade é o mesmo artista pirotécnico de outros tempos, com a diferença de que aquele era vivo e este, um defunto.”

O escritor usa para relatar esses acontecimentos uma linguagem surpreendentemente clara e simples. A leitura nos prende e, como disse Mario de Andrade, é incrível como lemos um conto totalmente fantástico sem se preocupar, aceitando a irrealidade como se fosse real.

“Só um pensamento me oprime: que acontecimentos o destino reservará a um morto se os vivos respiram uma vida agonizante? E a minha angústia cresce ao sentir, na sua plenitude, que a minha capacidade de amar, discernir as coisas, é bem superior à dos seres que por mim passam assustados.”

O conto pode ser lido AQUI.

¹: Trecho retirado do site: http://www.infoescola.com/biografias/murilo-rubiao/
Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Murilo_Rubi%C3%A3o
http://www.infoescola.com/biografias/murilo-rubiao/

Performance

Cunhado no início dos anos 70, o termo performance é bastante escorregadio em se tratando de conceito. Segundo a autora Regina Melim, no livro “Performance nas artes visuais”, quando ouvimos a palavra performance, logo remetemos ao corpo como parte construtiva da obra, em um espaço e tempo específicos, porém esse termo é mais do que isso.

Como um desdobramento da pintura e da escultura e agrupado a elementos do teatro, da dança, da poesia e da música, a performance expõe-se aberta e sem limites. Esse gênero tem suas origens ligadas às vanguardas européias, que também buscaram um novo caminho para as artes visuais. “Desde as vanguardas Européias, já se esboçavam ações performáticas que objetivavam rupturas, como as que ocorreram no futurismo, no construtivismo russo, no dadaísmo, no surrealismo e na Bauhaus.” (p.10)

Regina diz em seu livro que “a trajetória da performance no século XX se configurou como uma nova história de um meio aberto, permissivo, e com grande número de variáveis. Sempre quando um movimento pareceu encontrar um impasse, os artistas voltaram-se para as ações performáticas como um modo possível de romper com as categorias existentes e apontar novas direções.” (p.10) Foi, então, a partir do segundo pós-guerra que as performances se tornariam mais freqüente.

Dentre tantos artistas performáticos do século XX, uma em especial me chamou a atenção: o nome dela é Marina Abramović.

Marina usa seu corpo como “material” e o espaço em que ocupa como “campo de atuação”. Ela chega com frequência aos limites físicos e mentais suportáveis, indo, por vezes, além deles. Tornou-se conhecida por uma série de performances na década de 70 que envolviam dor física.

"Rhythm 10" (1976)

Abramovic fazia ferimentos em si mesma “com o intuito de fugir de seu corpo culturalmente determinado e disciplinado.” (Grosenick, Uta. Mulheres Artistas. p. 21)

Na obra abaixo, “Imponderabilia” (1977), Marina e seu companheiro Ulay (Uwe Laysiepen) ficaram nus, frente a frente, na entrada do museu. Todas as pessoas que entravam teriam que passar entre eles, escolhendo qual dos dois ficarariam cara a cara.

"Imponderabilia" (1977)

Até hoje Abramović apresenta suas performances. De março a abril de 2010, a artista realizou a obra “A artista está presente”. Durante cerca de 716 horas ela ficou sentada em silencio numa sala do museu de Nova Iorque. Os visitantes eram convidados a sentar-se em frente a Marina e ficarem lá o tempo que quisessem.

A performance deve ser ampliada, também, ao participador, para assim torná-la comunicativa de todas as formas. Como na obra “A artista está presente”, apesar de Marina não pronunciar uma palavra sequer, a participação do público era essencial para complementar a performance.

Fonte: MELIM, Regina. Performance nas artes visuais. RJ: Zahar, 2008.
GROSENICK, Uta. Mulheres artistas. Taschen, 2005.

 

Beuys

Joseph Beuys nasceu na Alemanha em 1921 e é considerado um dos maiores artistas europeus do século XX. Beuys decidiu seguir carreira na medicina, mas, com a explosão da Segunda Guerra Mundial, alistou-se na Força Aérea Alemã. Após a guerra, o artista foi estudar na escola de arte d Düsseldorf e, em 1961 tornou-se professor de escultura da academia. Em 1972 Beuys insistiu que suas aulas deveriam ser abertas a quem tivesse interesse em assisti-las, mas acabou sendo demitido por isso. Seus alunos protestaram pela saída do professor, que conseguiu o direito de continuar seu ateliê nas dependências da escola, mas não conseguiu seu cargo de volta.

Joseph Beuys produziu em vários meios, tais como vídeo, instalação, escultura e performance. Foi nessa última que, ao conhecer o movimento Fluxus e as performances do grupo, Joseph seguiu uma nova direção, voltada para esse gênero.

Uma de suas obras performáticas é a “I like America and America likes me”.

 

“I like America and America likes me” (1974)

O artista viajou até os Estados Unidos da América e ficou por alguns dias envolvido em feltro numa sala com um coiote, que é considerado um símbolo mágico por alguns povos indígenas norte-americanos. Apesar de ter viajado até os EUA, Beuys não visitou nenhum lugar nem pisou em solo americano.

 

"A Matilha" (1969)

A obra acima chama-se “A Matilha” (1969). A instalação contém uma Kombi e 24 trenós de madeira contendo feltro, gordura e lanternas. Há certa predominância de feltro e gordura nas obras de Beuys. Há um mito que diz que, quando o artista era da Força Aérea, o avião no qual ele viajava foi alvejado e caiu. Beuys foi resgatado e teria sido salvo por ser tratado com ervas e coberto por feltro e gordura. Não se sabe se essa história é realmente verdadeira, mas faz parte do mito que envolve sua figura.

Warhol

O termo “pop art”, que foi empregado pela primeira vez em 1954 pelo critico inglês Lawrence Alloway, surgiu para denominar os produtos da cultura popular advindos principalmente dos Estados Unidos.
Após a grande crise de 29, foi dado ao povo norte-americano um novo padrão de vida, voltado ao consumismo e ao poder de compra: o chamado Sonho Americano.
Como uma espécie de revolta a esse consumismo exagerado das sociedades modernas, as obras de arte deixariam de ser expostas nos museus e os artistas pop mostrariam agora suas criações nos cartazes, pôsteres nas ruas e nas capas dos discos.
Como um dos maiores nomes da pop art está Andy Warhol. O artista que mostra em suas obras principalmente celebridades e produtos de consumo de massa, se apropria da imagem de alguém público, que vemos o rosto todos os dias enfileirados nas bancas de jornal e nas revistas, para mostrá-la como uma informação massiva já gasta, consumida, desfeita.
Provavelmente, sua obra mais conhecida, o rosto de Marilyn Monroe multicolorido é o exemplo da imagem das celebridades estampada e exibida milhares de vezes ao publico que a idolatra.

Marilyn, 1964.

De fato, as obras de Andy Warhol eram vistas como a encarnação perfeita da crítica ao “Sonho Americano”.
Das prateleiras de sopa Campbell’s às milhares de garrafas de Coca-Cola enfileiradas, o trabalho de Warhol constituía-se em chamar a atenção do publico para as coisas vazias e banais daquele período.

Before and After, 1960.

Andy Warhol é, sem duvida, o artista pop mais influente da década de 60. Suas obras mostraram ao mundo a visão daquilo que antes não era arte mais era visto todos os dias, em todos os lugares, só não admirado.