Performance

Cunhado no início dos anos 70, o termo performance é bastante escorregadio em se tratando de conceito. Segundo a autora Regina Melim, no livro “Performance nas artes visuais”, quando ouvimos a palavra performance, logo remetemos ao corpo como parte construtiva da obra, em um espaço e tempo específicos, porém esse termo é mais do que isso.

Como um desdobramento da pintura e da escultura e agrupado a elementos do teatro, da dança, da poesia e da música, a performance expõe-se aberta e sem limites. Esse gênero tem suas origens ligadas às vanguardas européias, que também buscaram um novo caminho para as artes visuais. “Desde as vanguardas Européias, já se esboçavam ações performáticas que objetivavam rupturas, como as que ocorreram no futurismo, no construtivismo russo, no dadaísmo, no surrealismo e na Bauhaus.” (p.10)

Regina diz em seu livro que “a trajetória da performance no século XX se configurou como uma nova história de um meio aberto, permissivo, e com grande número de variáveis. Sempre quando um movimento pareceu encontrar um impasse, os artistas voltaram-se para as ações performáticas como um modo possível de romper com as categorias existentes e apontar novas direções.” (p.10) Foi, então, a partir do segundo pós-guerra que as performances se tornariam mais freqüente.

Dentre tantos artistas performáticos do século XX, uma em especial me chamou a atenção: o nome dela é Marina Abramović.

Marina usa seu corpo como “material” e o espaço em que ocupa como “campo de atuação”. Ela chega com frequência aos limites físicos e mentais suportáveis, indo, por vezes, além deles. Tornou-se conhecida por uma série de performances na década de 70 que envolviam dor física.

"Rhythm 10" (1976)

Abramovic fazia ferimentos em si mesma “com o intuito de fugir de seu corpo culturalmente determinado e disciplinado.” (Grosenick, Uta. Mulheres Artistas. p. 21)

Na obra abaixo, “Imponderabilia” (1977), Marina e seu companheiro Ulay (Uwe Laysiepen) ficaram nus, frente a frente, na entrada do museu. Todas as pessoas que entravam teriam que passar entre eles, escolhendo qual dos dois ficarariam cara a cara.

"Imponderabilia" (1977)

Até hoje Abramović apresenta suas performances. De março a abril de 2010, a artista realizou a obra “A artista está presente”. Durante cerca de 716 horas ela ficou sentada em silencio numa sala do museu de Nova Iorque. Os visitantes eram convidados a sentar-se em frente a Marina e ficarem lá o tempo que quisessem.

A performance deve ser ampliada, também, ao participador, para assim torná-la comunicativa de todas as formas. Como na obra “A artista está presente”, apesar de Marina não pronunciar uma palavra sequer, a participação do público era essencial para complementar a performance.

Fonte: MELIM, Regina. Performance nas artes visuais. RJ: Zahar, 2008.
GROSENICK, Uta. Mulheres artistas. Taschen, 2005.

 

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